Privacidade na Internet Ameaçada
PirateBay quer criptografar a internet
SÃO PAULO - Grupo que mantém maior portal de torrents do mundo inicia projeto para aumentar a privacidade dos usuários.
Batizado de IPETEE (Transparent end-to-end encryption for the Internets), a iniciativa foi motivada pela aprovação de novas Leis na Suécia, país de origem do PirateBay.
De acordo com a nova legislação, os órgão de fiscalização poderão acessar dados diretamente dos ISPs. E a tendência é que leis desse tipo se espalhem por outros países da Europa.
A idéia da equipe do PirateBay é criar um protocolo de criptografia que seja resistente a esse tipo de filtragem, criptografando todos os dados transferidos pelas máquinas — e não apenas o conteúdo trocado em redes P2P.
Por princípio, o IPETEE já nasce compatível com todos os sistemas operacionais. Ainda neste ano o primeiro código deve ser lançado em versões para Linux e Windows. Para funcionar, o protocolo de criptografia precisa de chaves instaladas nas duas máquinas que farão a transferência.
Atualmente, o IPETEE só está no papel, por meio de uma documentação com propostas, em inglês.
Fonte: Plantão INFO
Não é de hoje que existe uma verdadeira guerra entre os cidadãos usuários de internet e o Estado no que se refere a privacidade na grande rede. Saber que você pode estar sendo monitorado a qualquer momento é no mínimo desconfortável para os usuários mais prevenidos, isso porque os menos prevenidos expõem toda sua vida no Orkut e já não precisam ser monitorados, basta que entrem em seus perfis pra saberem até o nome do papagaio endereço e tudo mais.
Há algum tempo os provedores de internet começaram a usar um recurso sujo chamado “traffic shapping”, que vasculha os dados trafegados entre os usuários e os servidores em busca de algo que para eles não fosse interessante, como por exemplo pacotes VoIP que permitem o usuário fazer ligações pela internet com os custos bastante reduzidos, daí poderiam manipular esse tráfico da maneira que quiserem, isso claro sem que o usuário perceba. De uma maneira unilateral os provedores barram ou dificultam no servidor sua tentativa de acessar o seu P2P favorito, assistir ao seu vídeo no YouTube ou fazer sua ligação usando VoIP.
A grande discussão está justamente onde termina o direito do cidadão de ter sua privacidade resguardada e onde começa a pretenção punitiva do Estado frente as barbaridades que ocorrem também no mundo virtual - vide pedofilia, tráfico de drogas e outros crimes. É quase como uma comparação com as câmeras de segurança na vida “real”, o indivíduo abre mão de parte de sua privacidade em nome da segurança. Criptografar todo o conteúdo em tráfego da internet parece legal para o usuário de boa fé que deseja ter mais segurança e usar a sua conexão de maneira democrática, mas também abre brechas para que malfeitores se aproveitem para praticar seus crimes sem serem detectados.

